sábado, 29 de outubro de 2011

A HORA É DE INDIGNAÇÃO GERAL!


Teve lugar no dia 12 de Outubro, uma reunião da CPCS para discutir “o compromisso para a competitividade, o crescimento e o emprego”.

Como a CGTP-IN repetidamente tem denunciado, o Governo procura utilizar o chamado “diálogo social” para passar a ideia à opinião pública que está a negociar quando, na prática, está a tentar impor um conjunto de medidas anti-sociais do memorando da Troika.

Desta vez os temas abordados foram o alargamento dos contratos a prazo por mais 18 meses, as politicas activas de emprego e as indemnizações.

Quanto à primeira, fica claro que o objectivo do Governo é o de generalizar paulatinamente a precariedade, mesmo quando a maioria dos trabalhadores com estes vínculos de trabalho estão a ocupar postos de trabalho permanentes. Se a empresa, mesmo em tempo de crise, precisa do trabalhador, porque não o passa ao quadro de efectivos, em vez de lhe prolongar mais 18 meses o contrato? Como é evidente estamos perante mais um exemplo de exploração que precisamos de continuar a denunciar e combater.

No que respeita às políticas activas de emprego, estamos perante mais um bluff monumental. O Governo diz que pretende colocar cerca de 70 mil desempregados no mercado de trabalho, até 2013. Contudo, não consegue explicar como o faz, quando o país está numa situação de profunda recessão, logo susceptível de destruir mais emprego e não criá-lo.

No que concerne às indemnizações, confirma-se a tentativa de roubo generalizado a todos os trabalhadores.

Nos novos contratos querem limitar o montante a 12 salários e o valor anual da indemnização a 20 dias.

Nos contratos actuais querem estabelecer o mesmo critério. Com uma diferença: respeitam a antiguidade e o valor da indemnização até à entrada em vigor da nova lei. A partir daqui a indemnização ficaria congelada.

Exemplo 1: Trabalhador, com novo contrato e duração até 2022 (20 anos de antiguidade):

Exemplo 2: Trabalhador, hoje, com 30 anos na mesma empresa
(1.171.400 dos trabalhadores estão nesta situação, ou seja, 23,5% tem 20 ou mais anos de antiguidade)


Exemplo 3: Trabalhador a trabalhar há 9 anos na mesma empresa
(873.500 dos trabalhadores estão nesta situação, ou seja, 17,5% tem entre 5 e 9 antiguidade) 

Exemplo 4: Trabalhador com 2 anos na mesma empresa
(1 177,6 dos trabalhadores estão nesta situação, ou seja, 23.6% tem entre 1 e 4 antiguidade)

            Para além destas reduções o Governo pretende fazer ainda uma nova revisão das indemnizações no 1.º trimestre de 2012, com vista a fazer o “alinhamento” pela média do número de dias pago na UE. Ou seja, prepara-se para fazer uma nova redução no caminho que estão a trilhar de forma a eliminar, a breve prazo, as indemnizações.

            Esta é uma posição inaceitável. Por isso é preciso reforçar as solidariedades e demonstrar que existem saídas e alternativas, reafirmando ou apresentando novas propostas:


-        Porque razão o Governo não compara também os salários e as pensões com a média da UE?
-        Porque razão não calcula a indemnização com base na retribuição (salário e todas as matérias de expressão pecuniária, a exemplo do que se passa em outros países como a Espanha) em vez da base salário + diuturnidades.
-        Porque razão não compara a indemnização com o valor médio pago na UE, em vez do número de dias.

Acresce que se comparados os salários auferidos em Portugal e na zona Euro (considerando-os em paridade de poder de compra), mais de metade dos assalariados está abaixo do limiar de pobreza, ou seja, 1.922.450 trabalhadores auferem menos que 786€ (valor correspondente a 60% da mediana dos salários nos países da zona Euro, em paridade de poder compra).

Este não pode ser o caminho. Sobretudo depois do anúncio feito pelo Primeiro-ministro, de um novo e brutal pacote de austeridade contra os trabalhadores de todos os sectores de actividade e a população em geral.

A hora é de acção e mobilização geral para a Semana de Luta de 20 a 27 de Outubro. E de unidade para a luta mais geral contra estas políticas contrárias aos interesses dos trabalhadores, do povo e do país.

Um momento especial exige uma resposta global.

JUNTOS, VAMOS CONSEGUIR!


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